sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Lady In The Water


Sou suspeito: adoro os filmes de M. Night Shayamalan e esse não foi exceção. Seu mérito não está na originalidade de suas histórias, mas na maneria como as conta. Já vimos filme de terror, mas nenhum como "O Sexto Sentido" (The Sixth Sense - 1999). Filmes de super-heróis são feitos desde muito tempo, mas nenhum como "Corpo Fechado" (Unbreakable" - 2000). Alienígenas são recorrentes no cinema desde a década de 50, mas nenhum como "Sinais" (Signs - 2002). Não é diferente com esse filme. O estilo continua o mesmo: surpreender o espectador com um roteiro bem feito e que no fim deixa um gostinho de "como não percebi isso antes?". O trabalho de fotografia (em um cenário simples, pequeno e com iluminação impecável com cenas filmadas entre a noite e o amanhecer como nunca vi antes) é magistral. As tomadas de fundo geniais continuam em alta nos filmes do diretor indiano. Some-se a isso o trabalho magnífico dos atores Bryce Dallas Howard (A Vila) e Paul Giamatti (Planeta dos Macacos, American Splendor e Sideways). Chama a atenção, também, o fato de que, dessa vez, o diretor resolveu colocar-se em um papel de destaque no filme: um escritor que não consegue terminar o seu livro. O próprio diretor reconhece que sua história não é original: em certo momento um personagem (Bob Balaban, Gosford Park e Capote) diz algo como: "não existe mais nada original na humanidade, infelizmente". Ele reconhece, mas consegue ser surpreendente mesmo na falta de originalidade. É um conto-de-fadas, mas como nenhum outro. Faz pensar que todos somos importantes mesmo quando fracos e que são desses momentos que nascem o melhor da gente. A inocência é retratada como o não reconhecimento do quanto somos importantes para alguém.
E ainda dá tempo de criticar a guerra no Iraque. Para mim, gênio.
Assista ao filme, mas leve a criança dentro de você. Só assim você vai aproveitar o filme como Shayamalan quis que você aproveitasse.

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