Não tem jeito. Existem coisas que simplesmente fogem da nossa esfera de controle. Coisas que não dependem da nossa vontade; da física das nossas possibilidades de ações. Sofrer é uma delas. Custo a acreditar que alguém sofra pelo prazer de sentir-se vivo. Deve haver gente que gosta do sentimento doloroso do sofrimento. Porém, acho mais provável que alguém queira sofrer para alcançar outro estágio evolutivo. Sim, sofrimento é um caminho para o crescimento (desculpem, não pude evitar a rima) pessoal. Sofrer é parte importante (não sei o quanto) da descoberta de coisas novas. Sofrer ajuda a criar expectativas novas, novos rumos e projetos. Colocá-los em prática é difícil e laboroso, mas, uma vez feito, é libertador. Mas voltemos ao problema da falta de domínio sobre o sofrimento. Quem não quer ou não gosta de sofrer, seja por amor ou outras angústias menores, pode procurar um caminho alternativo: escolher sofrer menos! Isso podemos fazer. Podemos, nas infinitas possibilidades de ações que estão ao nosso alcance, escolher aquelas que resultarão mais alegrias e menos angústias. Podemos escolher nos afastar a nos aproximar; Salvador a Darfur; um dia na praia a um na chuva; rock and roll a funk carioca. É a única coisa que podemos fazer. Não vai acabar com a dor, mas vai encurtá-la e ajudar a ir "além do que se vê".
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