Ao entrar no avião, reparou na moça sentada na poltrona 7C. Rosto simétrico, olhos verdes intensos, cabelo castanho, liso até o ombro magro. Imaginou o seu perfume. Nunca se sentiu tão sortudo em sentar-se na poltrona do meio. Só reparou na camiseta suja com uma mancha amarelada, a calça jeans amassada e a sandália "pedindo para ser jogada no lixo" quando foi ajeitar-se para se acomodar na 7B. O perfume era exatamente como imaginou. Combinava perfeitamente com seu cabelo, olhos e postura esguia. Olhou para a mão de dedos longos e finos. Não usava aliança. Em nenhuma das mãos. Mas algo naquela tela não parecia bem: o modo desleixado com que ela se vestia quase lhe tirava todo o encantamento.
Não se conteve. Quando os comissários de bordo davam as ridículas instruções de como proceder em caso de acidente aéreo, nos quais nada daquilo vai adiantar, perguntou:
"Como é que uma mulher tão encantadora pode se vestir desse jeito?"
Ela demorou um pouco para processar em sua mente o que aquele sujeito havia dito. Não acreditou que poderia ter ouvido aquilo.
"Acho que não entendi direito o que você disse."
Ele repetiu.
"Que ousadia! Quem você pensa que é? São seis e meia da manhã de segunda-feira e acordei...não interessa. O senhor é louco?"
"Calma. Eu só pensei que, se vamos começar um relacionamento, precisava ser sincero desde o começo."
"Agora, pronto! Louco. Relacionamento? O senhor confundiu sinceridade com ousadia."
"Oscar Wild dizia que a verdade é raramente pura e nunca simples. Esperava que você justificasse estar vestida desse jeito. Não podes me acusar de não ser verdadeiro. Isso conta muito hoje em dia, não?"
Ela sorriu e pensou que aquela "meiota" do reveillon ainda fazia efeito. Aquilo tudo era muito surreal.
"Ainda estou sem acreditar nessa conversa..."
"E seu celular? Qual é o número?"
"Você tem como anotar?"
Não se conteve. Quando os comissários de bordo davam as ridículas instruções de como proceder em caso de acidente aéreo, nos quais nada daquilo vai adiantar, perguntou:
"Como é que uma mulher tão encantadora pode se vestir desse jeito?"
Ela demorou um pouco para processar em sua mente o que aquele sujeito havia dito. Não acreditou que poderia ter ouvido aquilo.
"Acho que não entendi direito o que você disse."
Ele repetiu.
"Que ousadia! Quem você pensa que é? São seis e meia da manhã de segunda-feira e acordei...não interessa. O senhor é louco?"
"Calma. Eu só pensei que, se vamos começar um relacionamento, precisava ser sincero desde o começo."
"Agora, pronto! Louco. Relacionamento? O senhor confundiu sinceridade com ousadia."
"Oscar Wild dizia que a verdade é raramente pura e nunca simples. Esperava que você justificasse estar vestida desse jeito. Não podes me acusar de não ser verdadeiro. Isso conta muito hoje em dia, não?"
Ela sorriu e pensou que aquela "meiota" do reveillon ainda fazia efeito. Aquilo tudo era muito surreal.
"Ainda estou sem acreditar nessa conversa..."
"E seu celular? Qual é o número?"
"Você tem como anotar?"
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