Fui informado, ontem, no Líbanus, que meu blog provocou reação de indignação em uma amiga-nem-perto-de-ser-tão-amiga-assim. Depois de ter visto negado o seu acesso ao blog, no alto da sua imponência e cheia de argumentos de autoridade, a rapariga (gaja) declarou a uma amiga minha:-Para que ele escreve um blog se somente uma ou duas pessoas vão ler? Era melhor escrever em um caderno.Veja só se eu agüento. Estou precisando melhorar meus critérios, já rígidos, de escolha de amizades. Qual o problema em escrever um blog somente para poucas pessoas? Podem argumentar que algo na internet nunca vai ser para poucas pessoas. Pode ser, mas o que eu escrevo, como dito em outro post, é para mim. Eu sou o maior leitor do meu blog. E assim quero continuar. O que percebo é que houve mudança de comportamento das pessoas com esse negócio de blogs. Antes, as pessoas escreviam em seus diários e seus escritos eram classificados como confidenciais. Havia a noção do quanto normal e privado era o que as pessoas confessavam naquele maço de papel inviolável. Hoje, o normal é ser aberto, preencher todos os detalhes do perfil do Orkut e sair fazendo relatórios diários sobre sua vida a todos. O que mudou foi apenas o instrumento por intermédio do qual escrevemos. Nada mais! Prezo pela privacidade e escrevo pelo valor terapêutico que do ato deriva. Se quisesse que as pessoas tivessem qualquer opinião sobre o que concerne somente a mim, eu distribuiria panfletos de meus textos e pediria para enviar os comentários para um caixa postal aberta para este fim; se cristão, correria para a igreja mais próxima para conversar com um padre sobre meus escritos ou ligaria para o Disque-Vida para confessar minhas angústias. Para isso, visito um profissional semanalmente. Tem gente que não tem noção alguma do que é privacidade, cumplicidade e confunde amizade com “suporto você apenas por educação e nem isso tenho conseguido ultimamente”. Eu mereço. Às vezes Dr. Jekyll é muito bonzinho. Mister Hyde não deixaria isso acontecer.
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