sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

O Ministério da Saúde adverte

“Eu fui fazer um samba em homenagem à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais. Eu fui à Lapa e perdi a viagem, que aquela tal malandragem não existe mais. Agora já não é normal, o que dá de malandro regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial, malandro candidato a malandro federal, malandro com retrato na coluna social; malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal. Mas o malandro para valer, não espalha, aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal. Dizem as más línguas que ele até trabalha, mora lá longe chacoalha, no trem da central.“
Resolvi começar este post com a letra de uma música do cara que, na opinião de especialistas, é o compositor brasileiro, quiçá em todo o mundo, que mais entende a alma feminina.
Essa música, no entanto, não fala das mulheres, mas sim da indignação que Chico sente ao constatar que hoje todos são malandros e que a “tal malandragem” clássica, folclórica e típica do Rio de Janeiro do início do século XX já foi pro beleléu há muito tempo. Também estou indignado, mas minha revolta não é causada do fim da malandragem. É por causa do uso da malandragem rasteira usada por pessoas repulsivas que insistem em achar que toda mulher é burra e nasceu ontem. Este post não é sobre Chico; é sobre um sujeito de natureza antagônica à de Chico Buraque de Holanda. Um analisa, entende e decifra a alma feminina; o outro subestima, procura entender e nada consegue compreender.
Nos corredores do MRE transita diariamente um sujeito que, para mim, é uma mistura do “malandro de gravata” com o decadente Francisco Cuoco. Explico. O sujeito acha que é a coisa mais atraente que já andou na litosfera do pequeno planeta azul; como se cinco dos seis dias da criação fossem dedicados à sua figura. E o pior é que ele realmente acredita que tudo isso é, mais que uma verdade, um axioma; mais verdadeiro que a afirmação de que a menor distância entre dois pontos é uma reta. Não me incomodaria com a presença abjeta desse sujeito se ele não insistisse em falar comigo todos os dias como se fosse meu amigão e não ficasse amolando minha amiga F... com sua conversa chata. Mas minha amiga não é estúpida - embora ache que ela deveria ser muito mais grossa do que ela é - e cada vez que ouço suas histórias, mais pena eu sinto do rapaz. Se eu denunciar, capaz do Ministério da Saúde tatuar na testa dele: “O Ministério da Saúde Adverte: ficar a menos de dois metros de ... pode causar terríveis distúrbios intestinais, câncer e impotência sexual.” O mais hilário é que o rapaz sai repitindo aos quatro ventos que não presta e que ainda não conseguiu achar a mulher que vai endireitá-lo. Diz isso como se fosse atiçar o imaginário feminino e todas se sentissem atraídas pelo desafio de conquistá-lo. Eu digo: nem Pitanguy consegue ajeitá-lo.
Sabe aquele sujeito tosco, nojento, grudento que quando encontra a mulhereda, dá um sorriso “matador”, diz: “Como vai, fofa?”, sapeca um beijo bem estalado na bochecha da sirigaita e sai achando que ela suspira devido à sua presença mercante, delirante e alucinante (na cabeça dele, é claro). Nem canalha ele consegue ser. Mulheres sabem que não é muito difícil para um homem ser canalha. É algo quase que natural; vem de fábrica. Não é acessório ou sujeito a fatores sociais que influenciam na atitude do homem. Quando o cara é tão caricato que nem ser canalha ele dá conta, cai no ridículo. É uma queda longa e o sujeito sobre o qual destilo toda a ira de Mister Hyde parece não vai parar de cair nunca.
Tão ridículo e degradante quanto uma música chamada “Knife”, de Rockwell. Seria a trilha sonora perfeita para sua vida. Quem puder, a música está disponível no cd “As 30 melhores da Antena 1. Sinta o naipe do indivíduo. Mas o aviso: ouvir a música pode causar a mesma sensação de náusea que é causada quando o sujeito aponta no horizonte. É sensação nada agradável. Garanto.
Peguei pesado, mas ele também pegou pesado quando resolveu nascer

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